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A difícil permissão para cuidar de si

  • Foto do escritor: Gabriela Vilaça
    Gabriela Vilaça
  • 11 de fev.
  • 2 min de leitura

Desde pequenas, aprendemos que o certo é cuidar, acolher, dar conta de tudo e de todos. Muitas mulheres cresceram ouvindo que ser boa é colocar as necessidades dos outros à frente das suas, que ser atenta ao sofrimento alheio é uma virtude e que pensar em si pode ser um sinal de indiferença. Assim, quando surge um incômodo interno, quando a tristeza, a frustração ou o cansaço batem à porta, há um conflito: será que é justo olhar para isso? Será que me permitir sentir e buscar um caminho diferente não seria um sinal de egoísmo?


Essa é uma carga invisível que muitas carregam. A culpa por se sentir sobrecarregada, o medo de decepcionar, a necessidade de justificar cada movimento que faça sentido para si mesma. Em meio a isso, a dor interna é silenciada, porque sempre há alguém precisando mais, algo mais urgente para resolver. E, quando finalmente se considera a possibilidade de olhar para dentro, um pensamento cruel surge: “Será que estou exagerando?”


A sociedade reforça essa ideia de muitas formas. As histórias de mulheres que se sacrificaram pelos outros são contadas como exemplos de amor e dedicação, mas pouco se fala sobre o que elas perderam no processo. O autocuidado muitas vezes é retratado como um luxo ou um capricho, quando na verdade deveria ser uma necessidade legítima.


Mas não é só uma questão cultural. Há também as histórias individuais, as vivências que ensinaram que demonstrar necessidade é um sinal de fraqueza, que expressar tristeza pode ser um peso para os outros, que dizer “não” causa afastamento. E então, o medo de desagradar se torna maior do que a vontade de se sentir bem.


Se você já se pegou duvidando da sua própria dor, tentando relativizar o que sente porque “há pessoas em situações piores”, ou sentindo que buscar ajuda é um ato egoísta, saiba que isso não precisa ser assim. A sua dor é válida. O seu cansaço importa. Os seus desejos e limites também devem ter espaço.


Cuidar de si não significa deixar de cuidar dos outros. Pelo contrário, significa poder estar inteira para viver com mais qualidade e presença. Buscar terapia não é sobre se afastar do mundo ou se tornar insensível. É sobre aprender a se ouvir, entender de onde vem esse julgamento interno tão severo e, aos poucos, reconstruir uma relação mais justa consigo mesma.


Se olhar para dentro parece difícil, talvez seja porque nunca te ensinaram que você também merece esse olhar. Mas você merece. E dar esse passo pode ser o começo de um caminho mais leve e verdadeiro.

 
 
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